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Muito se tem falado sobre a
imigração japonesa no Brasil, principalmente após a comemoração
do centenário, ocorrida no ano de 2008. Fala-se principalmente
sobre a imigração em São Paulo, que foi tão decisiva para a
história do Estado e do país.
No entanto, pouco tempo depois,
em 1929, ocorreria o início da imigração japonesa na região da
Amazônia, ocorrida, a princípio, em duas frentes: uma no Estado
Pará, a colônia de Acará; e a outra, no Estado do Amazonas, na
região de Maués; e mais tarde, em 1931, numa terceira frente,
com sede na Vila Amazônia, no município de Parintins. É desta
terceira frente que este livro trata com maior destaque.
Se na região Sudeste do Brasil,
os japoneses chegaram para ser, sobretudo, mão-de-obra nos
cafezais; na Amazônia, a imigração japonesa tinha interesse de
colonizar a região, traçando um caminho de ocupação que levaria
ao desenvolvimento do lugar. Eram imigrantes colonos vindos de
famílias de classe média alta do Japão, formados pela Escola
Superior de Colonização do Japão (Faculdade Koutaku).
O livro A Fibra e o Sonho
de Antão S. Ikegami relata os interesses dos estados do Pará e
Amazonas e do Governo Japonês; das empresas e dos imigrantes com
objetivos independentes de cada organização estruturadas no
Japão; suas origens, condições e preocupações; os produtos, as
pesquisas e persistências na produção da fibra da juta e
pimenta-do-reino pelos imigrantes, respectivamente, de Parintins
e Tomé-Açu, bem como, o projeto do guaraná em Maués. Fatores
estes que comprovam não só movimento econômico, mas a contenção
da remessa de ouro para o exterior e ajuda aos ribeirinhos,
fornecendo apoio à saúde, educação e ensinando as atividades
agrícolas, incentivando aspirações de vida.
O livro, além de ser um
importante relato do ponto de vista histórico, de como aquela
região se desenvolveu economicamente, é também um relato de
vida, pois traz também a história do pioneiro Kinji Ikegami, pai
do autor, que escreveu longas cartas aos seus pais, contando
sobre as dificuldades da vida no Brasil, cartas estas que nunca
chegaram a ser enviadas, e hoje encontram-se no Museu de
Imigração Japonesa, do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura
Japonesa), em São Paulo, como patrimônio histórico. Partes
dessas cartas são apresentadas traduzidas para o português no
livro.
A obra é toda ilustrada com fotos
da época dos imigrantes principalmente koutakuseis,
chamados assim por serem membros do projeto de colonização no
Brasil chamado de Koutaku, idealizado por Tsukasa Uyetsuka. Além
das fotos, o livro conta com importantes depoimentos de pessoas
que viveram lá e outras que vivem até hoje e seus descendentes.
Neste livro, você descobrirá que
a imigração japonesa no Brasil é ainda mais importante do que se
imagina.
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